domingo, 13 de maio de 2012

Eu sei II


No último poema que escrevi, pintei a vida tão triste e tão amarga
que fiquei com cisma de mim. 
Gostaria que entedessem que o que escrevo é libertação
E que amo a vida, amo-a  como uma canção.

Canção,
hora triste,
hora alegre,
hora serena,
hora agitada.

Danço conforme seu ritmo,
às vezes tento mudá-lo, mas 
a tentativa é em vão. 

Assim sigo...

Como toda mulher, já sonhei os sonhos mais ternos e lindos,
Desses muitos, mas muitos mesmos, eu realizei,
Outros naufragaram no mar da vida,
Vi os indo embora, e não pude salvá-los.

Mas, quero nesse poema pintar a vida de forma bela:
Imagine a beleza das flores,
Imagine a beleza das cores,
Sinta a canção que fala de amores,
Sinta o vento, esqueça o tempo,
Perceba o luar, olhe as estrelas,
Escute os passáros,
Escute o teu coração,
Faça a sua oração,
Pois, a Vida, caro leitor...
É tudo de bom!

Iraci Sartori

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eu sei

O que me resta?

A solidão
A dor
As lamentações
O tempo
O espaço
Os sonhos adormecidos

O que quero?
Os sonhos de adolescente
O riso
Alguns momentos felizes
A paz
A serenidade
E uma trégua na dor

O que penso?
Na vida injusta
No sonho não realizado
Na decepção com ser humano

O que quero?
Respostas.

Mas, sei que vale a pena viver
Pela inocência e pelo sorriso da criança.

 Iraci Sartori

domingo, 6 de maio de 2012

Personagem

 
Teu nome é quase indiferente
e nem teu rosto mais me inquieta.
A arte de amar é exactamente
a de se ser poeta.

Para pensar em ti, me basta
o próprio amor que por ti sinto:
és a ideia, serena e casta,
nutrida do enigma do instinto.

O lugar da tua presença
é um deserto, entre variedades:
mas nesse deserto é que pensa
o olhar de todas as saudades.

Meus sonhos viajam rumos tristes
e, no seu profundo universo,
tu, sem forma e sem nome, existes,
silêncio, obscuro, disperso.

Teu corpo, e teu rosto, e teu nome,
teu coração, tua existência,
tudo - o espaço evita e consome:
e eu só conheço a tua ausência.

Eu só conheço o que não vejo.
E, nesse abismo do meu sonho,
alheia a todo outro desejo,
me decomponho e recomponho.

Cecília Meireles